quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Maná - vivir sin aire




Procuro pelos braços
que não me acolhem.


Nem
sempre sou essa fortaleza que represento


Sei que
seus olhos não alcançam o meu coração


Não lêem
os meus.


Suas
retinas absorvem máscaras


Fico tão
só nessa desordem


Presa no
inverso do tempo


Luto pelo
que quero


Mas nem
sempre o que desejo, é o que preciso.


Sei que
estou apaixonada demais para esquecer...


Minha
vida ficou presa naquela estação.









segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Adriana Calcanhotto - Do fundo do meu coração



Estou voltando... Tateando... Devagar...Sem pressa.
Como quem acorda de um longo sono... Atordoada me procuro.
Onde estive amei sozinha. Perdi-me. Paralisei sem sonhos. Sem dignidade.
Fui meu carrasco. Puni-me e paguei por erros que não eram meus.
Vivi num tempo que não me pertencia. Onde minha alma nunca coube.
Permissiva... Trai-me.
Os versos desbotaram com o tempo. Não foram lidos. Esquecidos agonizaram e fugidios deixaram de existir e levaram minha existência com eles. Fui apenas um espectro de mim mesma. Um vulto, uma sombra... Tanto tempo escondido atrás de um sol sem brilho suplicando migalhas de amor. Tantas estradas incertas e vazias.
 De repente... O amor pediu um tempo. Tempo... Ah o tempo! Amigo tempo. Atordoada,  concordei. E o dia amanheceu... Como um milagre, acordei daquela noite tenebrosa que meu amor me conduziu. Estava tudo fora do lugar. Uma saudade imensa invadiu minha vida... Saudade... Saudade de mim mesma. Saudade de tudo que me roubei. Devagar despertei... E para minha surpresa todos os meus sonhos estavam ali, ainda que maltratados, um a um foram despertando dentro da minha alma... E assim a vida amanheceu. São tantos planos e sonhos fervilhando, uma vida tão ampla pela frente que mal consigo harmonizar meus próximos passos.
Meu coração pulsa em descompasso desde o instante em que fora invadido pela esperança de uma vida mais suave e verdadeira.
Feliz daquele que pacientemente cede um tempo ao amor, permite que ele parta, e vivencia esse reencontro consigo mesma... Deixo aqui meu pedido de desculpas ao amor. Sinto muito por não aguardar por seu retorno. Mas, preciso ser feliz. Devo isso a mim mesma. Preciso de um amor que me ame. Ser vista,aceita e cuidada. De um amor que saiba ser amado,que transborde e ilumine. Que saiba sair de si e entregar-se. Um amor que surpreenda tanto quanto esse reencontro comigo mesma. Um amor verdadeiro que não se quebra, nem abandona. Um amor que deixa saudades e recordações. Um amor que não apaga.

Cristina Vianna.




domingo, 21 de dezembro de 2014

Gostaria de ser  Pasárgada, a derradeira, que concluiu a cidade de Ciro II, construía em Pérsia. Ser a ultima pedra, o ultimo pilar, o primeiro sinal de vida.  Entretanto, hoje sou a Pasárgada de Persépolis.  Sou ruína, barco naufragado, poema esquecido inacabado, porque lhes faltaram versos ou amor. Já não sou o beijo desejado. Sou ave selvagem esquecida no canto do mundo. Hoje, poderiam abrir-se todas as cortinas, e a sinfonia ainda permaneceria silenciosa. Escuta-se apenas sussurros de um coração que se arrasta em busca insana, em completa desordem, sedento pela palavra que abraça, que salva, significa a vida a espera de um milagre. Desesperadamente abro o livro,  repetidas vezes, e já não ouço vozes. Onde estão as personagens que carregavam sua alma e preenchiam minha vida. Quase sem forças suplico para senti-lo uma última vez pulsando em minhas mãos... E a memória duela com a razão, invade-me a sensação de engano que quase me rouba a vida, que pouco ou nada importa, ou se diferencia, por perder-se em insignificância. O engano é meu, portanto, a dor é minha. Gostaria de existir, ser mãos, alcançar o livro que pulsa. Quero sair de mim, enfrentar-me... Não posso. Não consigo... Abrace-me para que meu coração chegue perto do seu, e sinta vontade de continuar pulsando.
Lá fora tanta correria... Dentro de mim tantas perguntas sem resposta. Não existe loja de amigos, de amor, fraternidade, lealdade, amizade. Então por que tanta correria? O que compram? Estou à deriva, sem bússola, sem remo, sem farol, sem ponto chegada ou partida. Novamente estou andando na contramão do destino, a espera de um milagre...                             
  Cristina Vianna


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012