terça-feira, 30 de setembro de 2008

ALCIONE - MEU VÍCIO É VOCÊ

"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre".
Cecília Meireles

domingo, 28 de setembro de 2008

Colcha de retalhos...


Olha só: adoro andar descalça. Sou apaixonada por teatro.Nossa! Muito “mermo”, como diz um bom carioca. Ah, eu também dirijo cantando e quando a música é muito brega e estou parada num sinal e o rapaz do carro ao lado está olhando de uma forma estranha, penso: Como vou sair dessa? Vem a idéia: Olho para trás e finjo reclamar com alguém, que lógico não existe e digo: Hei ,dá um tempo, desliga esta música!Olho para o tal rapaz com carinha de vítima como a dizer: Viu como sofro ao ser legal dando carona!? Ah, ouço muitas vezes a mesma música, posso explicar: Muitas vezes a culpa é do CD, que não quer sair do som mesmo com medida provisória.
Amo o esquilinho da Era do gelo, ele é persistente, nunca conheci outro igual, ele é mesmo teimoso! Na verdade ele me irrita, gostaria de convencê-lo a desistir daquela noz.
Amigos, na verdade o meu caso nem mesmo Freud explica, tenho certeza que complicaria sua carreira de grande psicanalista.
Todos nós temos nossos cinco minutos diários de burrice, o segredo é não ultrapassá-los e aprender a respeitar este tempo. Hum, tenho tido problemas com o meu cupido e penso que ele me deva desculpas, muitas desculpas! E fica aqui a promessa: se eu sair dessa “Nunca Mais”, só se for na Terra do nunca. Vou formatar meu coração, deixa só eu me levantar... O pior é que nem consigo afogar as mágoas porque elas sabem nadar e não consigo criar juízo por não saber o que ele come.
Tenho que contar: Já fiz coisas inacreditáveis!
Olha só... Ah deixa para lá.
Você não iria acreditar mesmo...

TRAVESSIA - MILTON NASCIMENTO

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram...
Drummond

A lua e eu - ainda 27 de Setembro

Passaram-se 12 anos e não encontrei as respostas...
O concreto e real é que você partiu, levando na bagagem: minha juventude, sonhos, sorrisos, castelos, a vontade de brincar, levou a menina, as certezas e minhas verdades.
Você se foi antes do vento soprar, da noite chegar e do amor acabar.
Partiu como um dia que se esvai.
Como um sonho que perdemos ao despertar.
Como o tempo que não volta atrás.
Cataloguei as cicatrizes.
Fiz gaivota dos sonhos.
Acostumei com o desconcerto e a inquietude.
O que restou de nós, está na presença deste sonho desfeito e nas vidas que concebemos.

sábado, 27 de setembro de 2008

27 de setembro de 1924 - "Nascia Tiloca".






... Antes de desejar algo, preciso agradecer por tudo que me ensinou.
Aprendi contigo pequena grande Tiloca, a olhar para a vida com olhos mais generosos e a conviver com minha solidão.
Nossa história de amor começou numa manhã de primavera, e a partir daquele dia eu nunca mais seria à mesma.
Final de Setembro de 2004 estava cursando enfermagem e desenvolvia uma pesquisa de conhecimento da patologia hanseníase e para entender a patologia precisava conhecer o paciente. Fui então visitar a Colônia de Santa Teresa, que fora inaugurada em 11 de março de 1940, exclusivamente para internação de portadores de hanseníase, de todo Estado de Santa Catarina. Soube que ainda estavam por lá seus primeiros internos.
A Colônia fica em um lugar privilegiado pela natureza. Na estrada somos acompanhados pelas plantações de Eucalipto como a preparar nosso coração para adentrar em outro mundo. Lá onde nasce um rio nas entranhas dos arvoredos. Surge como um fio de esperança, por onde tantos internos mergulharam em fuga, retornando humilhados porque haviam fugido sem saber para onde, lá fora no mundo de cá, não havia ninguém e nada a sua espera: nem mesmo vida.
Quando alcancei os portões da colônia, meus olhos percorreram aquelas construções, cheguei mesmo a vacilar os passos, duvidei se conseguiria ir adiante, era um silêncio atordoante. O dia estava belo como costumam ser as manhãs primaveris, mas um frio percorria minha espinha e já não sabia se estava pronta para adentrar em tamanha solidão e silêncio.
Meus pensamentos estavam em desordem, olhava para aqueles portões e tinha conhecimento de que por muitos longos anos ficaram fechados e abrigaram tamanha crueldade e sofrimento. Eu questionava: Encontraria vida lá dentro? Que tipo de vida? Como sairia de lá?
Um olhar mais atento e percebi os jardins, livrando-me dos ruídos internos, pude ouvir o canto dos pássaros e esta visão encorajou-me a seguir em frente.
O cenário seria lindo e perfeito se não fosse tão triste, mas aquele silêncio agudo não devolvia paz. Caminhava por aquela mini cidade, até que... Como explicar? Meus olhos alcançaram uma criaturinha pequenina em frente à porta da casa 12. Fiquei presa dentro daquele olhar e meu coração aos saltos anunciava que naquele instante de espaço e tempo iniciava-se uma linda história de amor, que viria surpreender a todos, inclusive a nós duas. Ela dividiu comigo sua história e passou a esperar-me nas tardes de sábado para comer cuca feita por suas mãos e saborear um café.
Um dia Tiloca falou que em mim morava a solidão dos leprosos. Não compreendi e ela levou algumas semanas para explicar-me. E quando explicou fora a primeira vez que chorei diante de minha guerreira. A solidão dos leprosos é a solidão das almas incompreendidas. Pude ver isso dentro de seus olhos no primeiro instante em que lhe vi, enorme é a sua inquietude.
Tiloca contraiu a hanseníase (LEPRA) ainda criança.
Queria ir à escola, mas, era isolada e quando estendia sua mãozinha para a professora, esta se negava a segurar. Tinha apenas sete anos, ouvia as tias falarem: esta menina é leprosa. Vai morrer.
Foi para aquela colônia aos 22 anos.
Eram cassados naquela época pela vigilância sanitária, como cachorros: a ambulância chegava, os obrigava a entrar, levavam até aos portões da colônia, mandavam descer e diziam: vão morrer ai dentro. Saiam.
E assim, sem escolhas, eram jogados lá dentro, sem direito a nada, nenhum contato com o mundo lá fora. Aliás, lá fora ficava tudo, a juventude, a família, os sonhos, a dignidade, o copo na pia, a marca do corpo em seu colchão, a vida. Entravam naquele lugar pra morrer. Entretanto, Tiloca não morreu, aprendeu a arte da costura, amou,casou, teve filhos, escreveu sua história em um mundo muito particular. Sobreviveu a dor de ver pedaços de seu corpo morrer e cair, a perda dos filhos, os seios latejantes sem poder amamentar, a perda de seu amor pela viuvez, à solidão dos leprosos.
Parabéns, Tiloca, por ser tão boa filha deste nosso Deus, por ser tão guerreira, por todos os ensinamentos, e por tanta doçura.
Deixo aqui meu agradecimento de alma, por me deixar fazer parte de sua vida, e por amenizar minha solidão leprosa.
Eu a amo muito e talvez isso diga algo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Palpite, Vanessa Rangel

"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."
Cecília Meireles

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Meu escritor Daniel de Sá.

"Seja a casa com portas só de abrir,
Sem grades nas janelas e sem aço
E que nos aconchegue em cada abraço
Sem nunca ser abraço de ter de ir."

(Daniel de Sá)





(Ao escritor Daniel de Sá)


Sonho de ser ilha.
O poeta disse:
- Digo ilha,
e sou poeta.
Eu afirmo:
Também sou ilha
E sou poeta.
O poema
a ponte
a encurtar a distância
das ilhas.
O mar
Com largos braços
No seu abraço
A nos ilhar
Nos impõe distância
E saudades.
Poeta,
tua coragem de ser ilha
É a mesma que a minha.
Ilha
Que abriga lendas
Mistérios,
Princesas
Pastores,
Hortênsias
Orquídeas
E borboletas azuis.
Aqui estou
A construir a ponte
Acariciando o basalto
Que encobriu
Safiras e esmeraldas.
Alço vôo
Nas asas da gaivota
Rasgo a bruma
No alto da colina
observo a vida das hortênsias
Que circundam a ilha.
Volto
Piso em solo açoriano
E lhe digo:
Doce poeta
Agora sou
Meu próprio sonho.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MPB4 - Por quem Merece Amor

Uma noite com o meu amor

Por uma noite
Preciso crer que és meu eleito.
Preciso amar-te
Como se não fosse amanhecer.
Tudo acontece na rapidez de um sonho.
Teu corpo
Extensão do meu.
Invades minha solidão
Passeias em meu corpo
Decoras meus traços
Absorve-me
Prende-me
Alucina-me.
Surges de um tempo onde te ocultastes
Revivo
Embriago-me com tua presença
Sonho com nossos passos juntos
Mãos dadas
Atravessando a madrugada
Entrelaçando sonhos
Tecendo planos
Amando-te
Até que o dia amanheça...

Cristina Vianna

sabiá - nossa alma trio

"A beleza do canto de meu sabiá, que dedico a alguém muito,muito especial,e único, como o canto desta sabiá nesta derradeira manhã de inverno,o canto me pareceu ainda mais bonito esta manhã".
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez
Possa espantar as noites
Que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Eu não sou mais triste
E que a nova vida
Já vai chegar
E que a solidão
Vai se acabar.

domingo, 21 de setembro de 2008

AVE MARIA - FAFA DE BELÉM

Minha mãe... Tão minha que vive em mim, e não posso abraçar. Sempre abençoei os cinco sentidos, e por tanto aguçá-los, hoje aos domingos, são os que mais sentem sua falta, é minha verdadeira agonia. Vão-se quatro meses e ainda não sei o que fazer aos domingos sem ter você.
A vida mais parece agora um tabuleiro de xadrez, onde aos poucos perdemos as torres, vão embora os guerreiros piões, fracassam os bispos, lutam bravamente os cavalos, a rodopiar pelas casas, e perde-se a rainha, pobre rei! Pobre coração! Está em xeque.
O tempo corre não sei para onde, o que sei, é que não me leva para tão longe onde minha dor possa aquietar nem tão perto onde eu pudesse te tocar. O tempo não me devolve o seu cheiro na hora do abraço, os olhos que eu tanto busquei sua presença que eu tanto amava, ele marca o tempo da ausência, ele marca a distância que nos separa daquele último olhar, o derradeiro, onde eu não suspeitava que não voltasse a ver aquele brilho, porque a passagem estava comprada e eu não sabia que partirias sem aviso, ou um sinal, partistes e eu mergulhei na incerteza se partiria também, ou guardaria esta saudade que é a maior que a vida tem.

sábado, 20 de setembro de 2008

girafa areia movediça

Thaís eis aqui sua girafinha,promessa realizada ok? O outro não deu ,muito triste, e até agora não consigo aceitar os oitenta, sempre acho que poderia ser quarenta, porque o autor não pensou nisso? Hum...acabou de cair a ficha ,acho que ele estava no quarto estágio da girafinha.
Tenho certeza que hoje serás a fada mais linda desta festa.
Te amo fadinha oriental.

Cariocas - Adriana Calcanhoto.

Olha só, ser carioca é isso, todo carioca começa uma frase assim: Olha só... Então, também puxam no R., e o S. têm o som de x, e quando estão perto de um paulista, fazem isso com mais vontade, e também enchem a pizza de catchup e mostarda.
Cariocas fazem festa quando o inverno esta acabando, festa com bolo e docinhos e um chopinho para variar, mesmo que esteja no sul e não tenha convidados, consegui fazer a festa sozinho, em termos, precisa de um PC, uma Web Can, uma cerveja, e um amigo do outro lado, esta perfeita, carioca sempre dá um jeito, para não ficar triste.
Apaixonam-se por a, b e c, enfim, são os planos para nunca estar só, um tem que dar certo, é uma equação, assim como a depressão do carioca no inverno, principalmente se estiver no sul e nenhum carioca a seu lado para "bebemorar" sua tristeza.
Cariocas e vinho deveriam sempre estar distantes, nunca dá certo esta combinação, após a segunda taça, já estará chamando o anfitrião de papai, ou meu irmão, vai apertar, abraçar, beijar, enfim, cariocas são carentes,nascem carentes, e o vinho faz algo com seus neurônios que é quase inexplicável. Cariocas amam, amam muito, e quase morrem de amor, se não fosse uma boa balada, um samba com letra de "C" bom, "gente traída", e um amanhecer na praia, penso mesmo que morreriam de amor. Mas, como para todo bom carioca tudo nesta vida tem jeito... cariocas gostam de beijo na boca, feijoada, samba no pé e muitas risadas. Para um carioca basta saúde e amor, o resto corre atrás.
Um bom carioca torce pela Mangueira, chora no Show da marrom “Alcione", conhece o bar do Oswaldo, sofre pelo Botafogo, ama carnaval, vai à praia no fim da tarde para aplaudir o por do sol, adoram gente, são alegres e divertidos a maior parte do tempo e quando estão tristes escondem-se, tem sempre uma boa história alegre para contar, ainda que seja em velórios. São parceiros, bebem mate leão na praia, e comem biscoito globo. Andam no calçadão pulando ... preto, ou branco, são as pedras... Quando ficam deprimidos vão ao calçadão sentar no banco com Drummond,e contam suas mágoas,e chegam mesmo a dizer que o viram sorrir.
Cariocas são assim... não tem jeito,ainda que não esteja em sua cidade, sempre lê os jornais, e acompanha as programações de lazer.Precisa estar atualizado.
Penso que os cariocas, devam estar em festa, afinal estamos na reta de largada para a primavera, e espera ai... acho que escutei meu nome...Olha só, os convidados estão chegando...

Lenha - Ze Cabaleiro

"A amizade é um amor que nunca morre"
(Mário Quintana)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Djavan Pétala - Ao vivo Disco 2

"...Queixo-me as rosas,mas que bobagem!As rosas não falam,apenas exalam o perfume que roubam de ti."(Cartola)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A menina e o mendigo...


Ela esta chegando, veio mais cedo hoje, deve ter coisas para contar, seus olhinhos estão brilhantes, e vem saltitando no ar como a pular nuvens de algodão.
O amigo a sua espera, como todos os dias, fuma seu cigarro, e parece distante, muito distante, tem os olhos perdidos em algum sonho.
- Olá, fugi mais cedo hoje, a casa está cheia, estão brigando, não notarão que escapei.
- E porque estão brigando?
- Sei lá, os adultos comuns sempre fazem estes risquinhos na testa, estão sempre nervosos, e apressados.
- E o que mais a separa dos adultos?
- Você é um mendigo adulto ou criança?
- O que achas?
- Perguntei primeiro.
- Preciso saber como me enxergas, não importa como eu me veja, e sim, como me enxergas, ou pensas eu ser. Quando me crias, passo a existir na forma do seu olhar, e ser exatamente como me vês, ou me sentis.
- Então podemos brincar de ser. Acho que você é um mendigo criança, com tamanho de adulto, mas, não um adulto comum, porque não ficas distante, mesmo sendo grande e eu pequena.
- Por quê? Não faço risquinhos na testa?
- Não é só por isso. Os adultos falam bravos para nos colocar medo, eu já percebi, que quanto mais eles têm medo, mais eles gritam, e então eu finjo que estou com medo, para diminuir o medo deles, e ficam felizes por demonstrarem poder. Você não grita, e não precisa provar que tem nada, mora na rua, tem o mundo todo só para si, tem o céu, as estrelas, e a lua. Esses adultos, os comuns, brincaram pouco de faz de conta e esqueceram o caminho de sonhar. Eles também não sabem o que fazer com a casca da banana, e nós sabemos o quanto são importantes, e valiosas em nosso jogo de amarelinha, o quanto nos ajuda a alcançar o céu, não é? Mesmo que um dia sejas um mendigo adulto, nunca serás como eles, os que fazem risquinhos.
- Você também é uma criança diferente. Não tem medo das minhas roupas sujas, da minha casa sem paredes, olha dentro dos meus olhos. E nunca importa-se que eu tenha um nome diferente a cada dia.
- Por que eu teria medo? Tens um cachorro. E é bom saber que tem um monte de gente dentro de si, por isso tantos nomes, não vejo suas roupas, bem que gostaria de encontrá-lo de banho tomado, com o cheiro um pouco melhor, só um pouco, não que isso seja importante para a nossa amizade... Toby volta! Olha o carro!
-Ele só esta tentando chamar nossa atenção.
- Trouxe duas balas, uma é minha, a outra é sua, e se dermos um pedacinho para o Toby de cada bala, vai pensar que ganhou duas. Acho que ele esta partilhando a idéia comigo.O que vamos fazer hoje?
- Vamos achar a lâmpada mágica.
- Oba! Vou achar bem rápido a minha.
- Não, tem que ser a mesma.A nossa lâmpada mágica.
- Por quê?
- Para ser o mesmo gênio a nos conceder os desejos.
- Gênios são iguais.
- São diferentes, podes acreditar no que lhe afirmo.
- Se são gênios e estão numa lâmpada mágica, o que tem de diferença?
- A essência. Esse é o maior segredo da vida, é ela quem desenha as sutis diferenças. Vou dar-lhe um exemplo: O que vais pedir ao soltar o gênio da lâmpada?
- Um barco, um grande e lindo barco!
- Boa! Um dos gênios pode lhe dar um lindo barco com fios dourados a alinhavar os contornos, e o outro...
- Também me daria o mesmo barco, eu poderia descrevê-lo como desejasse.
- Sim, mais cada gênio daria um contorno diferente, ainda que fosse dourado, e os barcos tão parecidos não seriam os mesmos... Um desses barcos poderia também , algumas vezes voar, dependeria dos devaneios de cada gênio.
- Um barco que não afunda nunca, e que voa?
- Isso mesmo, esse gênio sairia de dentro da lâmpada, como a saltar do seu coração.
- E o outro, poderia sair da lâmpada, como a pular de sua razão, os barcos não voam minha pequena.
- Entendi, vamos dividir nossa lâmpada, e escolher os que voam, assim vamos estar no mesmo barco e podemos levar o Toby.
- Como é o nosso gênio?
- Ele é divertido, sorridente, barrigudo, e bonzinho.
- Barrigudo?
- Sim, precisa ser barrigudo para ser sorridente, acho que as pessoas barrigudas comem tudo o que sente vontade, daí ficam contentes.
- Esta de bom tamanho esta explicação, e esse gênio. E para onde vamos?
- Vamos viajar pelo mundo inteiro, para qualquer lugar, desde que, à noite tenhamos muitos vaga lumes para nos distrair, e que possamos carregar dentro do barco todas as coisas boas que conhecemos e as que sonhamos conhecer, e então, vamos sair por todos os cantos, entregando para as pessoas grandes e pequenas, o máximo de pessoas que pudermos encontrar. Nunca vou esquecer os desenhos que fazes com a fumaça do cigarro... Ah, eu também gostaria de encontrar o rei que mora dentro do mar, e que ele nos levasse, de mãos dadas, até pisarmos no chão do mar, porque deve ser silencioso, as pessoas não podem gritar, entraria água pela boca, não sei como elas fazem quando estão com medo, ou será que não existe medo no fundo do mar? E o que desejaria que o gênio fizesse por si?
- Não é muito simples o meu desejo.
- Tem que ser simples, senão vais fazer o gênio crescer, e daí ele ficará chato. Hum... Acho que a bala grudou nos dentes do Toby, ele está engraçado. O que vais pedir para o gênio barrigudo?
- Vou desejar que ainda que passem muitos anos, essa menininha que hoje navega no barco comigo, nunca cresça, que a vida não coloque seu coração em molduras, e que sempre que o caminho se fizer mais difícil, encontre o barco com fios dourados, que voa e nunca afunda, e que consiga sempre ir lá ao chão do mar onde mora o silêncio e não há medo...
- Tenho que ir, antes que descubram que não estou em casa. Até amanhã, se achar a lâmpada, espere-me para esfregar, esta bem?
- Até amanhã querida. Eu a esperarei.
- Tchau Toby. Vou pedir ao gênio para eliminar suas pulgas.
Saiu correndo como a fugir da chuva, sonha que vão sentir sua falta, pensa que não a conhecemos... Sempre faz isso quando não pode conter o choro... Eliminar as pulgas?

Crônica do Amor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Poema para uma criança curiosa.

Podia ter nascido acácia ou leopardo,
Gazela, colibri ou pirilampo.
Podia ser um funcho, um cravo, um cardo,
A pedra da muralha de um castelo
Ou um lírio-do-campo.
Qualquer coisa que eu fosse, eu era belo
Se os olhos que me vissem fossem belos.
E se o meu gato tivesse sido eu,
E eu fosse o meu gato simplesmente?
Por que razão nasceu
Na mesma noite um tigre, e eu nasci gente?
Mas eu sou gente como?
Este meu corpo
Sou eu,
sou eu somente
O corpo que me cabe nesta pele,
Ou sou mais do que ele?
Se eu tivesse nascido torto seria outro qualquer
Ou seria o mesmo, com um corpo torto?
Não nascendo rapaz, seria outra pessoa
Ou a mesma, num corpo de mulher?
Sou os cinco sentidos com que sei o Mundo,
Ou aquilo que sou hei-de encontrá-lo
Bem mais fundo?
Ou serei eu apenas o que como,
O meu corpo sou eu, e o alimento
Que o sustenta é que se torna eu?
Ou sou, mais do que tudo, um pensamento?
A memória do que fui e a ideia do que hei-de ser
É que me fazem ser,
Ou sou o pão que se faz carne que sente,
Ou o gato que ao nascer
Em vez de nascer gato nasceu gente?
Daniel de Sá.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A voz do meu coração...

"Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.

Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo."
Natália Correia

Sonho de Ícaro ( Biafra )

"...Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."
Clarice Lispector

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Anjo,um tributo a nossa história...























































































































Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas,
enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas,
se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas,
se formos amigos de verdade,
a amizade no reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos vivemos e nos lembraremos pra sempre.
Há duas formas para se viver a vida:Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Ps.Se clicar nas fotos elas aumentam...

Eu e você sempre

Tudo começou assim:"Procura-se um anjo,ele tem que ser bom, honesto,sincero,saber sorrir,dançar,cantar,gostar de mar, de terra,de bichos, da vida,tem que amar livros,e músicas, gostar de viajar,Ah,tem que amar crianças e cães.
"E que acredite que um amor seja infinito,podendo se acaso algo der errado amar-me como amigo"

O Cruzeiro - 10 de novembro de 1928




É a era da electricidade.
A diferença entre a vida de então e a dos anteriores é alguma coisa como a diferença hoje existente entre a vida das grandes cidades e a do campo. O ambiente é outro. Outra é a organização da vida. Cada vez o homem se afasta mais da Natureza. Primeiro, liberta-se do dia e da noite. A luz artifical permitte-lhe a vida nocturna absolutamente igual á do dia; a luz solar não é mais reguladora dos habitos quotidianos. A vida em grandes aglomerações vae, aos poucos, deixando em todos os habitos a sua marca. As facilidades aumentam para tudo e os multiplos actos da vida se vão, lentamente mas constantemente, adaptando á nova ordem das coisas. O tempo se distribue de outro modo, e os affazeres são outros. Outros são, tambem, os divertimentos. Insensivelmente, as differenças se vão accentuando.
As viagens e os proprios passeios diminuiram muito, desde que, sem sair de casa, pode-se ver o que ha em qualquer parte da Terra: a televisão, juntada á telephonia, modificou radicalmente os habitos. Não ha necessidade de sair para fazer compras: vê-se, escolhe-se, encommenda-se tudo pelo telephone-televisor automatico. Não ha mais necessidade de viajar, para ver terras longinquas: é só ligar o receptor, e visita-se, commodamente, qualquer museu, ou qualquer paiz. Sómente os objectos devem ser transportados.
Na era da electricidade o rei dos metaes é o aluminio, retirado das argilas pela energia electrica. O aluminio supplantou, com as suas ligas, o ferro, pesado demais e facilmente oxydavel, e ainda substitui o papel, tão facilmente deterioravel. De aluminio são os livros. É em folhas de aluminio que se escreve.
A era da electricidade se caracteriza, essencialmente, pelo emprego da electricidade em todas as formas de energia. Energia luminosa: tudo se iluminna electricamente. Energia chimica: tudo deriva da electricidade. Energia thermica: tudo se aquece ou se resfria pela electricidade. Energia mecanica: tudo se movimenta pela electricidade.
Servindo para tudo, a energia electrica passa a ser a nova moeda. O ouro e as suas representações são formas obsoletas de medir valores. A moeda, no anno 2000, é, tambem, a energia electrica. Pagam-se as compras em kilowatts. Paga-se o trabalho en kilowatts.
A revolução trazida é principalmente nos habitos. Continúa a haver desigualdades sociaes. Ha ricos, possuidores de milhões de killowatts-horas, remediados, que têm alguns milhares de unidades de energia; e pobres, que dispõem apenas de algumas unidades. É verdade que não ha mais fome, desde a adopção do trabalho obrigatorio minimo, nas usinas distribuidoras de energia. Mas as questões sociaes continuam.
Muitos pretendem estender o dominio da actividade industrial do Estado. Parece-lhes insufficiente o monopolio governamental das usinas geradoras e distribuidoras de energia. Começou a questão a proposito da regularização do clima. Uma vez reservada para o Estado a faculdade de provocar as chuvas pela energia irradiada ás nuvens, determinando-lhes a condensação, pareceu a muitos que se deveriam ampliar ainda mais as horas de trabalho obrigatorio minimo, servir-se-ia melhor a colectividade minima do trabalho. Só haveria vantagens nisso.
Objectam, porém, alguns ser o caso das usinas de energia, evidentemente, especial. Da mesma forma, o da distribuição das chuvas, vantajosamente affecto ás autoridades, para beneficio geral. A Repartição das Chuvas, dispondo de todo o serviço official de estatistica, e em connexão com os demais repartições do Ministerio da Agricultura, é uma organização que se resolveu dever ser do Estado. Ampliar, porém, ainda mais os serviços governamentaes, numa socialização progressiva de todas as actividades, não merece as sympathias de um grupo numeroso. Já todos os homens e todas as mulheres, maiores de 18 annos, são obrigados a um serviço diario de 2 horas. Breve serão 3 horas. Onde se irá para nesse caminho? Invocam-se contra as idéias de socialização os velhos principios da liberdade individual. A questão está, assim, longe de ser resolvida
. . . . .
Sonho? - Sim. Mas o sonho de hoje poderá ser, amanhã, realidade. Sabe-se lá até onde nos levará a evolução que hoje se processa tão acceleradamente? Como será a vida no anno 2000?

Marisa Monte - De Mais Ninguém

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. " [ Clarice Lispector]

Maduros



Dois cálices, vinho
À noite esta solta
Teu aroma invade meu ninho,
Teu olhar me açoita,
Teu vulto se anuncia
tomando todo o espaço.
Tua boca meu nome pronuncia...
Estremeço,
em amor me desfaço.

À noite esta solta
Se soubesses querido
quanto te esperei,
quanto te sonhei
antes muito antes,
terias chegado.

À noite esta solta
já é madrugada,
o vinho macerado,
muito melhor, envelhecido
de sabor mais apurado.

À noite esta solta,
Entra
já não sou a mesma amante
apenas dela
a essência existe
como a do vinho no tempo.

À noite esta solta
Abertos estão meus braços,
vem descansar no meu regaço,
alivia teu cansaço,
a caminhada esta chegando ao fim.

À noite esta solta,
o vinho esta servido
apesar de o tempo ter passado
nunca como antes por mim,
FOSTES, TÃO AMADO!


BETY OSSIG

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Viva o mestre Rubem Alves.


Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".Educador diz que a escola não leva em consideração o desejo de aprender e está longe de responder às perguntas das crianças.

Rubem Alves é um crítico do sistema de ensino brasileiro. Mas suas opiniões não carregam rancor contra quem quer que seja. Para o educador e professor emérito da Unicamp, o problema da escola é que ela não leva em consideração o desejo de aprender das crianças e está respondendo às perguntas que somente os adultos acham importantes. ''Crianças fazem perguntas incríveis'', avisa. Para Alves, questionamentos como ''quem inventou as palavras?'', ou ''gato podia se chamar cavalo e cavalo se chamar gato?'', são a prova viva do interesse que todo garoto tem por conhecer o mundo. Mas essa curiosidade investigativa, que leva o aluno a estudar, está longe dos programas escolares. ''Existe uma expressão terrível na escola: grade curricular. Deve ter sido cunhada por um carcereiro''.

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas.Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música.Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
"Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança.Está sempre à procura de companheiros para brincar."
"A paixão é emoção gratuita. Não há causas que a expliquem. Mas, quando acontece, ela age como uma artista: da paixão surgem cenas de beleza. Os amantes se imaginam andando de mãos dadas por campos floridos; abraçados numa rede; silenciosos, diante do fogo da lareira; contemplando o rosto de um nenezinho adormecido... Paisagens de paixão"

"Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel."

"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..."
Rubem Alves.

domingo, 14 de setembro de 2008

Viver e não ter vergonha de ser feliz




Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia serBem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divinoMistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
é bonita...


Gonzaguinha - viver e não ter a vergonha de ser feliz

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Teu Sonho Não Acabou - Taiguara

Filho, agora que descobri que visitas Pasárgada.
Deixo aqui nossa canção.Eu a cantei bem baixinho quando te segurei em meus braços a primeira vez.E você parecia compreender, e parou de chorar para ouvir.Nosso momento mágico.E venho aqui validar a canção mais uma vez.
Ah, tem mais uma coisa, um recado do Quintana:
"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..."
E um outro de Sartre:
"Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem."

Eu nem sonhava te amar desse jeito...

Serenata


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

Cecília Meirelles

*- angel - Legendada -*

Marisa Monte - Gentileza

Gentileza perdeu toda sua família numa tragédia em Niterói no Rio de janeiro, quando num domingo atearam fogo no circo onde foram sacrificadas muitas vidas.
Gentileza, largou tudo e passou a caminhar pelas ruas e a escrever poemas e mensagens nos muros.
Na minha infância eu morava bem próximo ao viaduto deste video, que fica em frente a Rodoviária do Rio de Janeiro, e costumava ler as mensagens de Gentileza.
Quando ele faleceu, pintaram o viaduto, e houve um protesto e eu estava lá na defesa das palavras de Gentileza.
Gentileza fez sua dor escorrer em cada flor que oferecia a um desconhecido e em palavras de amor e ânimo , era o seu jeito de dar Bom dia.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Lara Fabian - Love by Grace - Legendado PT (BR)

Resposta ao poema...
Pequenas adaptações.

Eu me lembro da chuva naquela noite

E de todas as coisas que eu quis dizer

As palavras que saiam sem sentido que vem do nada sem avisos

Aquilo roubou o momento e me mandou pra longe

E você ficou ali parado ao meu lado.

E eu imaginando se eu algum dia voltaria

Queria mesmo gritar que eu não vim aqui para deixar você

Eu não vim aqui para perder

Eu não vim aqui acreditando que eu ficaria longe de você

Eu não vim aqui para descobrir que

Há uma fraqueza em minha fé

Eu fui trazida aqui pelo poder do amor

A graça do amor

E eu me lembro de que a estrada não tinha fim

E eu não conseguia fazer aquele carro retornar
E fiquei ali olhando voc~e partir, tanta distância entre nós e o carro conduzia meu tesouro para bem longe dos meus olhos

Chorei na cabine telefônica quando não me pedistes para ficar


Eu disse que eu não vim aqui para deixar você

Eu não vim aqui para perder

Eu não vim aqui acreditando que eu ficaria longe de você

Eu não vim aqui para descobrir que

Há uma fraqueza em minha fé

Eu fui trazida aqui pelo poder do amor

A graça do amor

Aquele foi apenas um momento na vida

E um que nunca esquecerei

Nunca deixarei para trás

Pois quando houver dúvidas

Você vai lembrar de que eu disse

Eu nao vim aqui acreditando que eu ficaria longe de você

Eu não vim para descobri que

Há uma fraqueza em minha fe

Eu fui trazida aqui pelo poder do amor

Eu fui trazida aqui pelo poder do amor

A graça do amor

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Gonzaguinha - Sangrando

Daniel de Sá


Não queiras partir

Não podes, não, partir. Ainda é cedo.
Tu fazes falta à vida, e não mereces.
Pois por cada manhã em que amanheces
Muitas noites apaga esse olhar ledo.

Não queiras, não, partir. Não te concedo
Ser livre desse modo.
Não te apresses,que a vida se esmorece, se esmoreces,
E as trevas são mais trevas, são mais medo.

Ó minha libelinha fugidia,
Meu sabiá de quando me sorriste
Sem eu saber sequer quem me sorria:

Por mais claro esse dia, será trevas;
Por mais belo que seja, será triste;
E um pedaço de mim tu também levas.

Daniel de Sá.

Querido Daniel, desejo que compreendas o atrevimento, é muito mais que sonhei tê-lo em Pasárgada. Os meus amigos sabem o quanto o admiro, e o amo. Apenas Deus, pode explicar.
E por este ser um cantinho de amor e sonhos, quero que aqueles que amo possam ter um pouco de ti.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Meus filhos

Allan, Thaís e João Paulo.








pescar siri Nossos momentos








Nossas aventuras















Meus filhos

Quero ser exemplo
Não de perfeição
Coerência
Comportamento
Normalidade.
Quero ser exemplo
De originalidade e
Amor.
Creio em vocês
meus filhos
Creio que germinarão
Minhas sementes
Farão brotar ao nosso redor e
Até onde a vista não alcança
Um mundo melhor.
Quero que amem a liberdade
Repudiem a mediocridade
E arranquem a felicidade
Por detrás das cortinas
E padrões.
Quero ser um bom exemplo
e só conheço um jeito:
amar e
ser feliz...























Se eu morrer antes de você...

domingo, 7 de setembro de 2008

Esquadros

EU ANDO PELO MUNDO PRESTANDO ATENÇÃO
EM CORES QUE EU NÃO SEI O NOME
CORES DE ALMODÓVAR
CORES DE FRIDA KAHLO, CORES
PASSEIO PELO ESCURO
EU PRESTO MUITA ATENÇÃO NO QUE MEU IRMÃO OUVE
E COMO UMA SEGUNDA PELE, UM CALO, UMA CASCA,
UMA CÁPSULA PROTETORA
EU QUERO CHEGAR ANTES
PRA SINALIZAR O ESTAR DE CADA COISA
FILTRAR SEUS GRAUS
EU ANDO PELO MUNDO DIVERTINDO GENTE
CHORANDO AO TELEFONE
E VENDO DOER A FOME NOS MENINOS QUE TÊM FOME

PELA JANELA DO QUARTO
PELA JANELA DO CARRO
PELA TELA, PELA JANELA
(QUEM É ELA, QUEM É ELA?)
EU VEJO TUDO ENQUADRADO
REMOTO CONTROLE

EU ANDO PELO MUNDO
E OS AUTOMÓVEIS CORREM PARA QUÊ?
AS CRIANÇAS CORREM PARA ONDE?
TRANSITO ENTRE DOIS LADOS DE UM LADO
EU GOSTO DE OPOSTOS
EXPONHO O MEU MODO, ME MOSTRO
EU CANTO PRA QUEM?

PELA JANELA DO QUARTO
PELA JANELA DO CARRO
PELA TELA, PELA JANELA
(QUEM É ELA, QUEM É ELA?)
EU VEJO TUDO ENQUADRADO
REMOTO CONTROLE

EU ANDO PELO MUNDO E MEUS AMIGOS, CADÊ?
MINHA ALEGRIA, MEU CANSAÇO?
MEU AMOR CADÊ VOCÊ?
EU ACORDEI
NÃO TEM NINGUÉM AO LADO

PELA JANELA DO QUARTO
PELA JANELA DO CARRO
PELA TELA, PELA JANELA
(QUEM É ELA, QUEM É ELA?)
EU VEJO TUDO ENQUADRADO

Eu Tinha Medo de Morrer

Eu tinha medo de morrer...
Agora compreendo:
- era a sensação antecipada
de que ainda faltava te conhecer,
a ti, que já me foras destinada
E eu tinha medo de morrer
Agora,depois que nos encontramos que,
com tão funda ternura nos amamos,
meu coração está em paz...
e até a idéia de morrer não me amedronta mais...
É como se afinal já tivesse cumprido meu destino
e justificado meu viver...Agora...
eu já posso até morrer...
J. G. de Araujo Jorge

sábado, 6 de setembro de 2008

Eu


♫ Zélia Duncan - Catedral ao Vivo ♫





Também eu
Oh! Glória Horta
Sigo o caminho como o rio
Que corre sem misturar-se

Também
Sou nuvem
Sozinha

Sou estrada
Sem bifurcação
Também eu
Sou assim...
Sem parceria
Sem dono

Também eu
Sou cara inteira
Pena, não ser metade...

Cristina Vianna

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Aqui


♫ Ana Carolina - Aqui ♫




www.musicas.tc







www.musicas.tc



Nua

Olho a cidade ao redor
E nada me interessa
Eu finjo ter calma
A solidão me apressa
Tantos caminhos sem fim
De onde você não vem
Meu coração na curva
Batendo a mais de cem
Eu vou sair nessas horas de confusão
Gritando seu nome entre os carros que vêm e vão
Quem sabe então assim
Você repara em mim
Corro de te esperar
De nunca te esquecer
As estrelas me encontram
Antes de anoitecer
Olho a cidade ao redor
Eu nunca volto atrás
Já não escondo a pressa
Já me escondi demais
Eu vou contar pra todo mundo
Eu vou pichar sua rua
Vou bater na sua porta de noite
Completamente nua
Quem sabe então assim
Você repara em mim
Ana Carolina Composição: Ana Carolina/vitor Ramil

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Maria Eduarda







Esta é a canção do Papai, Mamãe e Dinda Cris.
Ainda quando eras um sonho, já te amávamos muito.
Um Dia Branco.
Se você vier pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol... se hoje o sol sair
ou a chuva... se a chuva cair
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça
na beira do mar
Um pedaço de qualquer lugar
este dia branco
se branco ele for
Esse tan...to, esse canto de amor
e você quiser e vier pro que der e vier comigo
Se branco ele for
Esse canto, esse tanto, esse tão grande amor, grande amor( Geraldo Azevedo)





segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Que Há.


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo,
ou um pouco mais,
se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada,
isto é, isto...
Para mim só um grande,
um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos.