segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Meu adorável anônimo





























Meu anônimo sempre visita Pasárgada.
Sei quem és. Aprecias Vinícius como eu.
E a construção desta intertextualidade ,de menina como uma flor, tem um grande significado para nós dois.
Trouxe aqui seu texto para o salão principal de Pasárgada com tamanha felicidade e orgulho de ser a sua mãe. És um grande homem e um enorme presente de Deus para esta mãe que tanto te sonhou e é apaixonada por ti.

Para uma Menina como uma Flor
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz saborosa e doce, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você pirar um pouco mais, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, fuma seus cigarros, bebe coca-cola sem culpa, e adora brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e tenho certeza que choraria se suas malas seguissem sozinhas ,você morreria de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.
Ainda que não sonhes comigo , e não transfira sua d.d.c. para o meu cotidiano, tenho certeza que implicaria comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.
E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata.
E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um cachorrinho que dorme abraçada e que tudo o que eu mais queria era que fosse de mim que falasse a ele.
Sei que quando você se sente perdida e sozinha no mundo, você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.
E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação.E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora batata frita , eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca me deixe sozinho.
E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, adaptei esta prosa de Vinícius tão bonita para você. Afinal eu li que gostasse das quadras do tal Daniel.
E por não saber fazer as quadras, quero que saibas que toda vez que leio essa prosa, ainda duvido se não fostes esta menina de Vinícius.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo sua cara ao ler e tentar adivinhar quem fora o autor deste comentário.
Saiba que me levantaria para recolher você no meu abraço. Sim, meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.







Vamos continuar a viagem? Povoação


Meus queridos amigos


Para festejar o início de mais uma semana,convido-os a dar continuidade ao passeio delicioso pela Ilha de São Miguel - Açores... Meu olhar alcança os acenos de nosso condutor Daniel de Sá, pressinto o encantamento e corro para segurar sua mão. Não posso perder essa viagem. Vamos lá pessoal, ele está sorrindo...

Povoação

Passando a ribeira dos Caimbos, num longo rodeio pelo sopé do Lombo Gordo, o viajante muda de concelho. Mas a paisagem não sabe disso, e permanece igual. Montanhas à direita, o mar à esquerda. Ravinas, arribas, precipícios. Sempre entre o susto e o sonho. Vem aí Água Retorta, ou vai-se por aí a Água Retorta, que dá as boas-vindas a quem uma légua atrás entrara no concelho da Povoação. Se fosse ave ou vento, teria andado metade disso somente. E, sendo a terra tão enrugada, tão áspera para caminhar nela e tão suave para nela pôr os olhos, acaba-se a pique sobre o mar, onde cai volteando a água de uma ribeira que, por ser assim, recebeu nome e o deu ao povoado. Um povoado que parece dois. Porque em terra chã fica o núcleo à volta da igreja, que é de Nossa Senhora da Penha de França, e mais acima se desenvolveu outro, obedecendo aos declives do lugar.
O viajante não sente cansaço, porque cada recanto visto é um prémio para a longuidão da jornada. Mais outra légua, chega à estrada que desce para o Faial da Terra. Caminho que é de ida e volta, e que se torce e retorce para não ser quase vertical. E de repente a terra se faz plana, pequena fajã que uma ribeira atravessa dividindo o povoado em duas partes. Voltando as costas ao mar, pode parecer que se está numa aldeia dos Alpes. E as ondas não precisam de se elevar muito para respingarem a terra que ali lhes fica quase resvés. Um pouco mais de ânimo, e podem até acabar como que ajoelhadas à porta da igreja de Nossa Senhora da Graça.
Por entre os montes que encaixilham a paisagem, uma dúzia de casas às quais o tempo esvaziará de gente e as intempéries se encarregarão de esventrar, de cegar as janelas, de escancarar as portas. É o Sanguinho. Mas aquelas casas hão-de ser depois recuperadas, reabilitadas, calafetadas, electrificadas, canalizadas. Para fingirem ser o que eram em condições de bem receber turistas. Não importará, porque a natureza há-de permanecer igual e milenar. Viver ali só poderia ter sido ideia de poetas, de eremitas ou de pobres.
A próxima descida será já dentro da caldeira de colapso onde se aconchega a Povoação. (Ah, mas que é isso de caldeira de colapso? É o que acontece quando o interior de um cone vulcânico se desmorona por muito rapidamente se ter esvaziado a câmara magmática.) O viajante pára no Pico Longo a contemplar a cena. O que resta dessa tal caldeira, que o mar esboroou a Sul. Um espectáculo grandioso cujo principal cenário desce em forma de lombas desde o pico da Vara e o planalto dos Graminhais. Paisagem a perder de vista e de se perder a vista nela. Alguém tenta dizer o nome daquelas e das outras lombas que as ladeiam a Leste e a Oeste, completada ou coroada cada uma por um pequeno povoado. Vai contando pelos dedos. Faltou a do Carro. Repete-se a contagem e o engano. Mas agora esqueceu foi a do Botão. Depois consegue a lengalenga de dizer as sete sem errar nem o número nem a ordem: Pós, Alcaide, Loução, Pomar, Botão, Carro, Cavaleiro.
A estrada que desce à vila atravessa a Lomba do Alcaide. Lá em baixo, não longe da ribeira que já tem provocado tragédias, desembarcaram os primeiros que puseram pé nesta ilha, talvez em frente ao sítio onde ainda resiste a bela matriz velha. O viajante olha as ondas como se contemplasse um monumento histórico. E também ali houve o primeiro povoado e o primeiro nascimento humano. Por ter sido a única durante algum tempo, não precisou de mais nome do que este que mantém de Povoação, por vezes acrescentado, no princípio, com a designação de Nova. Quando surgiram outras, passou a ser conhecida como Povoação Velha. Mas cedo voltou à simplicidade quase pagã da falta de um baptismo verdadeiro.
Subindo pela Lomba do Cavaleiro, repete-se a visão de sossegada grandeza. Lá num alto, destaca-se a ermida de Santa Bárbara, que talvez esteja no lugar da primeira que se construiu na ilha. E, apesar de este ter sido o primeiro lugar onde em S. Miguel viveu gente, a Povoação só foi elevada a vila e sede de concelho em 3 de Julho de 1839.
Quando o viajante passa no caminho que leva à Ribeira Quente, já é tarde. Nem sequer haverá tempo de parar nas Furnas para comprar um bolo lêvedo ou uma maçaroca de milho cozido nas caldeiras. Ir àquela aldeia de pescadores, que nos tempos de crise fornecia de chicharros os pobres de grande parte da ilha, ficará para outro dia. O seu nome deve-se à ribeira dos Tambores, que nasce na lagoa das Furnas e ali desagua, mas que recebe a afluência de águas quentes naquela freguesia. Desde pequeno que ouviu falar nas quase lendárias ruas do povoado, como que espremido numa nesga de terra, com montes que o apertam de um lado e o mar que o abraça ou ameaça do outro. Ruas, algumas delas, onde não cabe um burro carregado, diziam-lhe. E onde as vizinhas, de janela a janela, podiam pedir umas brasas para acender o lume. E é verdade. Parece um bairro árabe em miniatura. Nem sequer as vielas de Alfama serão assim tão estreitas. A igreja, dedicada a São Paulo, está agora num lugar elevado, assim protegida das vagas de tempestade, que já arruinaram dois templos antes de este ter sido edificado. Para lá chegar, e até ao século XX, o mar era o melhor caminho. Mas em 1936 e 1940 foram abertos os dois únicos túneis viários de S. Miguel. Quando o viajante, anos mais tarde, descobrir um perturbador efeito de ilusão óptica, há-de repetir a experiência muitas vezes: depois de passada a curva a seguir ao segundo túnel, e a meio da pequena recta que se lhe segue, dá a impressão absoluta de que se continua a descer; no entanto, parando e pondo o motor em ponto morto, o carro recua com inesperada velocidade.
A sua praia é formosa e famosa. Ficam-lhe por cima altas arribas, e tem aquecimento natural em algumas zonas, devido a fontes hidrotermais a poucos metros da linha de costa. Grande parte do terreno onde assenta a freguesia deve-se a uma enorme derrocada em 1588 e ao vulcão de 1630. Mas é também uma das que mais população perderam nas últimas décadas do século XX. Em 1965 havia 2421 habitantes, para os censos de 2001 lhe atribuírem somente 798.
(De um texto para um livro turístico a publicar pela Ver Açor.)

Coisas que eu sei - Danni Carlos

Agora eu sei...

domingo, 12 de outubro de 2008

O Haver - Vinicius de Moraes (participação de Edu Lobo)

O Haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:
— Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do Grande Medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do próprio reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.

sábado, 11 de outubro de 2008

Elton John - Sacrifice (Tradução)

"Não é sacrifício nenhum..."

Tocando em frente

A Admiração é a Primeira de Todas as Paixões

Quando o primeiro contacto com algum objeto nos surpreende e o consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que supúnhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de alguma forma se esse objeto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a primeira de todas as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objeto que se apresenta nada tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e consideramo-lo sem paixão.

René Descartes, in 'As Paixões da Alma'

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"Amigo é a alguém que te conhece a fundo e "apesar" disso: ainda te ama"







Gilmar, não adianta negar:Sei que me amas de verdade...


Amigo, como contar a história sem a melhor parte?
Posso falar que estávamos atrás de uma máquina, quando nos conhecemos.
Se eu revelar minha primeira curiosidade me ferro não é? Tudo bem, se eu não contar vais me cobrar. Fiz isso mesmo, não sei por quê. Posso explicar. Faço dessas coisas, devem ser descargas neurais.
Vou enrolar para não ficar tão mal para o meu lado. Exemplo: Quando fiz a minha primeira ultra-sonografia do primeiro filho, a médica me olhou e perguntou: Quer saber alguma coisa mãe? Respondi com uma pergunta: Ele tem braço? Ela achou que eu estava de gozação, não sabia das descargas neurais. Então, vamos voltar a nossa história. Minha primeira pergunta ao entrar em contato contigo pela Net: Qual a sua relação com a água? Você quis saber em que sentido, lógico. Então fui um pouco mais direta: Você gosta de tomar banho? Por Deus! Deves ser louco, porque não me bloqueou? E ainda respondeu.
Fora assim que iniciamos nossa amizade.
Estávamos em fim de inverno, início de primavera, marcamos a festa: PC, Web Cam, cerveja, e uma madrugada inteira. Avisei que estava num mezanino e que iria precisar descer escadas.
Tanta cumplicidade!
Estava próxima a minha formatura, eu iria defender meu trabalho de fim de curso. Acompanhastes os rascunhos de Estigma e solidão. Estavas lá comigo quando defendi meu trabalho.
Lembro que adoravas minhas cartas para Drummond.
Agora estou na dúvida se conto ou não o dia em que fui a seu encontro, detalhe, foi sem endereço, e o telefone estava sempre sem sinal. Fomos July, a outra Cris e eu. Uma aventura até a Roça Grande. Estava tudo combinado, a porta do carro estava fazendo um barulho horrível quando abria, então combinamos: Vamos colocar o som bem alto e desviar a atenção para abrir a porta, não faça isso muitas vezes, esquecemos do plano. Chegamos a Roça Grande acenando para a vizinhança, cumprimentando, parando, perguntando, enfim, fizemos amigos. E depois quando pediu o carro emprestado para comprar cigarros não entendeu nada porque as pessoas acenavam para o carro. Enfim.
Não fora uma viagem muito fácil, a Br 101 estava no começo das obras, entramos num lugar errado e a July gritava quase chorando: Corre Cris que estamos no meio de uma boiada, eu falei: Calma vai dar tudo certo, quase não deu , tive que entrar no pátio de alguém que não conhecia. Esta, fora uma das aventuras daquele dia. Bom , depois de algumas horas, estávamos lá frente a frente conversando pela primeira vez sem a máquina. Cheguei mesmo a duvidar se continuarias com a mesma disposição para nossa amizade, afinal a máquina me protegia bastante. Agora eu tropeçava, percebias minha falta de orientação espacial, enfim estas coisas. Ah, e minha timidez. Roça Grande é um pedacinho de Pasárgada, um lugarejo lindo e aconchegante. Anoiteceu e era hora de voltar. Ainda não estávamos na lei seca não é? Como um bom cavalheiro você se ofereceu para nos acompanhar até Florianópolis. Conto ou não conto? Isso não é mentir, é omitir alguns detalhes. Está bem. Vou contar nosso diálogo: - Quer que eu dirija Cris?
- Não. Você vai estragar meu carrinho.
- Hum?
- Deixa comigo.
Passado um tempo... Um silêncio estranho. Você perguntou:
- Cris, o que está olhando?
- Esta sinalização que não acaba nunca.
- Por Deus! Isso não é sinalização. É um caminhão que está na nossa frente.
- Ahhhhh ta.
Você precisava ver sua expressão no espelho. Nunca vi outra igual. Não sei como não pediu para descer do carro.
Eu expliquei:
- A noite não enxergo muito bem.
- Sua expressão piorou. Não entendi!?
Como sempre deu tudo certo... Sei que a aventura não terminou acho que vou ter que fazer em partes.
Muita coisa aconteceu naquele dia. Lembra do pneu furado?
E eu trocando numa estrada de terra?
E o macaco afundando?
Fica para próxima...
O que sei é que estavas lá comigo quando pensei ser o aniversário da Tiloca, e também estavas quando era mesmo o aniversário da Tiloca, e isso é muito importante para mim, lembras cada detalhe, e passaram-se quatro anos, e quando estamos juntos a vida é uma festa, uma grande festa. Adoro quando estou digirindo e falas: Vai Cris!
Respondo : Ainda não.Estou com medo!
Você faz aquela expressão de quem vai perder a paciência...
E daí eu falo: O medo já passou, vamos embora.
Lembra da última no posto de gasolina?
Perguntei a menina que iria abastecer: Aceita cartão?
Ela respondeu: Qual cartão?
Respondi bem séria: cartão de Natal.
Ela ficou pensando...
Não resisti juro. Eu tentei.
Na próxima vou contar o que aconteceu com o bolo da Tiloca, a culpa foi sua. Não precisava gritar: Entra ai!
E das voltas que tive que dar na rótula. Você me confunde.
Tenho pensado no nosso trailer, acho que vai ser um bom lugar para envelhecer. Posso dirigir? Nunca dirigi um trailer! Vai ser muito legal.
Lembra? Gilmar você me ama só que ainda não sabe!
Eu o amo muito para sempre...
Ps. Nem acabei de contar o primeiro dia.