sábado, 2 de julho de 2011

Catetano Veloso - Você Não Me Ensinou a Te Esquecer

Zé Rramalho - Chão de giz


Gostaria de ser a Pasárgada, a última que concluiu a cidade que Ciro II, construía em Pérsia. A última pedra. Entretanto, hoje sou a Pasárgada de Persépolis. Sou a ruína, o barco naufragado, o poema esquecido inacabado, porque lhes faltaram versos ou amor. Já não sou o beijo desejado. Sou ave esquecida no canto do mundo. Hoje, poderiam abrir-se todas as cortinas, e a sinfonia ainda permaneceria silenciosa. Escuta-se apenas sussurros de um coração que se arrasta em busca insana, em completa desordem, sedento pela palavra que abraça, que salva, significa a vida e estala em pares de beijos. Desesperadamente abro o livro repetidas vezes, e não ouço vozes. Quase sem forças suplico para sentir uma última vez pulsando em minhas mãos. E a memória entra em batalha com a razão, e a sensação de engano quase me rouba a vida, que pouco ou nada importa, ou se diferencia, por perder-se em insignificância. O engano é meu, portanto, a dor é minha. Gostaria de existir, ser mãos e alcançar o livro que pulsa.

quarta-feira, 2 de março de 2011

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Deveria ser uma noite como outra qualquer... Uma noite escura e silenciosa. Sem estrelas ou sonhos.

Você chegou como uma dessas estrelas meninas, que surgem do nada,brotando do puro acaso...

Um pequeno ruído, alguns movimentos suaves e um olhar firme de quem veio sabendo que iria ficar.

Lá estava você iluminando o breu e invadindo sem consentimento minha solidão... Agora estou aqui, me perguntando: o que leva uma pessoa a ficar horas com o olhar fixo numa jardineira a espera de um segundo milagre? Desejando que tudo recomece como naquela bendita noite escura de inverno... Esperando por alguém que não vai chegar.

Amar dói muito, e amar sem poder explicar e ainda perder, dói mais ainda... É cruel essa impossibilidade, essa impotência diante da casualidade da existência, da subjetividade da vida, o instante em que a tempestade invade a alma, e nos afogamos na própria dor.

Quero voltar o tempo, acordar sem ter dormido, arrancar esse sei lá o que... que estou sentindo... Tento reduzir, não complicar ainda mais... Mas,você despede-se sem querer partir, como quem é empurrado para dentro do trem,e eu sem conseguir fazer você ficar, sem poder dizer nossa história... Algo ou alguém cruzou nosso destino e depois nos apartou contra nossa vontade, simplesmente decidiu por nós, talvez seja um desses acidentes absurdos da existência.

Tenho colecionado acidentes... E pronunciado muito a palavra : Adeus.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Você chegou



Deveria ser uma noite como outra qualquer... Uma noite escura e silenciosa. Sem estrelas ou sonhos.

Você chegou como uma dessas estrelas meninas, que surgem do nada,brotando do puro acaso...

Um pequeno ruído, alguns movimentos suaves e um olhar firme de quem veio sabendo que iria ficar.

Lá estava você iluminando o breu e invadindo sem consentimento minha solidão... Agora estou aqui, me perguntando: o que leva uma pessoa a ficar horas com o olhar fixo numa jardineira a espera de um segundo milagre? Desejando que tudo recomece como naquela bendita noite escura de inverno... Esperando por alguém que não vai chegar.

Amar dói muito, e amar sem poder explicar e ainda perder, dói mais ainda... É cruel essa impossibilidade, essa impotência diante da casualidade da existência, da subjetividade da vida, o instante em que a tempestade invade a alma, e nos afogamos na própria dor.

Quero voltar o tempo, acordar sem ter dormido, arrancar esse sei lá o que... que estou sentindo... Tento reduzir, não complicar ainda mais... Mas,você despede-se sem querer partir, como quem é empurrado para dentro do trem,e eu sem conseguir fazer você ficar, sem poder dizer nossa história... Algo ou alguém cruzou nosso destino e depois nos apartou contra nossa vontade, simplesmente decidiu por nós, talvez seja um desses acidentes absurdos da existência.

Tenho colecionado acidentes... E pronunciado muito a palavra : Adeus.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Abraço no coração

A ave ferida,
Quem foi que a feriu?

Sentiu-se da vida,

Ou ficou sentida,

Que a vida sentiu?


A ave magoada,

Quem foi que a magoou?

Ou a dor é nada,

Só imaginada,

Ninguém lhe tocou?


Ave fugidia

Não regressa ao ninho?

Ninguém o diria…

Há-de vir um dia,

Mas devagarinho.


E quando chegar,

Asa ante asa,

Virá para amar,

Que é assim voltar

Ao sabor da casa.


Daniel de Sá.