quinta-feira, 2 de julho de 2009

Meu tesouro - versos de Daniel de Sá

Mulher-menina,
Mulher-criança,
Que nunca foge,
Mas não se alcança.
Mulher sem tempo,
Sem ter idade,
Que faz do instante
A eternidade.
Beijos e abraços
Tão pouco são
Para quem é
Só coração.
Coração de alma,
Como nenhum,
Para caber
Em qualquer um.
Cantem-lhe, amigos,
Um canto vário,
Que hoje foi dia
De aniversário.
Mesmo que o canto
Seja imperfeito,
Há-de ficar-lhe
Dentro do peito.
Que a sua vida,
Seu coração,
É dar beleza
À imperfeição.
Daniel de Sá - 01 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A minha poetisa Lia


Peço licença a Drummond e Vinícius,mas,essa é a minha poetisa de eleição.

Uma mulher linda,guerreira,vencedora,brilhante e por sorte consegui que fosse além de minha flor o meu lar.

Não posso deixar essas palavras de sol fora do salão principal,são o meu tesouro.

Fazem minha vida valer a pena.

Te amo Lia.

Obrigada.



Entrou na minha vida como um palhaço, "um palhaço de Deus", como a designou o Daniel de Sá, o seu escritor de eleição.
Entrou de mansinho com um montão de beijos , chamando-me flor e com o coração onde desabrocham leques de rosas e bemmequeres .E escusam de dizer que as rosas não têm leques e que não há bemmequeres , porque a vida sem o violino da imaginação estiola como a agonia da morte.
Entrou neste espaço de frutos e acrescentou mais mar a este mar de mim . É um mar extenso o que nela corre, mas as águas são doces e a voz é lírica e leve, aberta para a ternura. Talvez por isso se chame Teresa Cristina. É um nome lindo e musical e o seu sorriso é o de uma manhã primaveril, mesmo quando nela a chuva cai melancólica.
Nunca vi ninguém que amasse tanto e tanta gente, apesar do coração amassado. A sua vida é uma dedicação total a gente carenciada, de mundos onde a agonia escorre veneno. A Cris é mãe de três filhos já grandes, mas é uma menininha que dorme agarrada a um ursinho. Descobri isso quando a conheci. Descobri que é aí que reside o seu segredo e o seu espanto. A cris é o principezinho de saias, recusando abandonar a sua rosa e com o coração prisioneiro de um planeta que é um oceano ou talvez uma ilha onde lava a água que chora e refresca o sorriso que escalda.
Parabéns por tudo isso e pelo teu dia, Teresa Cristina, "palhaço de Deus"!

Isabel Fidalgo (Lia)

Vinícius de Moraes


Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Tudo passa Vinícius
O tempo corre sem saber porque...
Amadureçam as ilusões da vida
Hum...minhas ilusões...Umas perdi,outras esqueci,e algumas continuam meninas.
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Eu diria: Foram muitos os desenganos e imensa as compensações.
Faça-se a carne mais envilecida
O tempo dá conta disso.
Diminuam os bens, cresçam os danos
Já fiz essa equação.
Vença o ideal de andar caminhos planos
Ah eu venci esse desafio.
Melhor que levar tudo de vencida.
Concordo poeta.
Queira-se antes ventura que aventura
Aprendi cedo esse segredo
À medida que a têmpora embranquece
Chegarei lá.
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Não posso
Que grande é este amor meu de criatura
Isso é fato
Que vê envelhecer e não envelhece.
Sinto o que afirmas.
Agora vamos brindar poesia,a vida e ao amor:Infinito enquanto dure.
Ah meu poetinha
Também amo nessa diversa realidade
como amigo e como amante
Um amor calmo repleto de saudades
Cheio de liberdade e intenso a cada instante
Sei o que é sentir um amor maciço,concreto e sem virtude
Chamado mistério, que brota do inexplicável da vida
E por amar assim tão loucamente
também hei de morrer
por amar mais do que pude.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Amor I Love You - Marisa Monte

.....................................Deixa eu dizer que te amo...
Deixa eu gostar de você.
Isso me acalma.
Me ajuda a viver....

......"Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se
ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente
Cada passo conduzia a um êxtase
E a alma se cobria de um luxo
radioso de sensações"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Amigo







Não posso acreditar! Quanto tempo! Nossa !!!!Como sinto sua falta!
O que foi?
Não está lembrado de mim?
Impossível!
Não fica me olhando desse jeito. Diga algo gentil.
Hum! Vindo de ti, é sempre bom ouvir isto.
Já conhecia o sul da ilha?
Acho que tem razão. Por essas bandas o vento entra na ilha afobado.
Moro logo ali.
Posso passar um café e assar pão de queijo, enquanto conversamos um pouco.
Preciso muito conversar contigo.
Hei, não faz assim! Não precisa defender-se de mim.
Lembra:Eu te amo, porque te amo.???
Seja gentil. Confesse que veio, porque também senti saudades.
Assim me encorajas a continuar o assunto e a querer passar o café.
Desde quando essa azia?
Tudo bem. Vamos fazer do seu jeito.
Quem sabe se sentarmos ali?
Dá para ver o mar e ficamos abrigados do vento.
Por que não vai tirar o sapato? Tenta, é gostoso por os pés descalços na areia.
Ainda mais nesta areia fina e branquinha.
Tudo bem faça como quiser.
Não pretendo aumentar a distância que nos separa.
Não, não estou deprimida, estou angustiada é diferente.
Não tente adivinhar, tenha um pouco de paciência.Espere.Posso explicar o quanto aprendi a assimilar a ausência.
- Como a dor é inevitável e o sofrimento opcional?
- Não dê os ombros para mim, parece um menino birrento, não sou eu quem está com sapatos engraxados na areia, e ainda com esse lenço nas mãos tentando limpar o inevitável.
Ao menos aprendi a não lutar contra o impossível.
Não me faça rir agora, vou perder o tom dramático da conversa, e a oportunidade ímpar de falar contigo.
Sim. Lá adiante é a Ilha do Campeche.
Possui uma praia paradisíaca e vários sítios arqueológicos.
Está tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Não. Nunca cheguei até lá senão com o pensamentos. Ando praticando essa técnica. Estou graduada amigo.
Drummond será que pode parar de limpar os sapatos e prestar atenção um instante sem me interromper?
Não estou ficando brava.
Estou fazendo um pedido. Não vai demorar e sei que vai anunciar que meu tempo acabou e não consegui nada mais do que tentar convencer-te a me ouvir.
Sinto-me como uma criança que apanhou uma surra sem o menor espaço para argumentos.
Não, não é sempre assim, nem sempre quem bate tem razão.
Quer dizer: Nem sempre apanhamos por merecer.
Por favor, deixe-me ao menos concluir minha introdução, aliás, ela era bem melhor, não contava com suas interrupções.
Nossa como eu estava com saudades, meu querido rabugento!
Espera. Pensei em algumas frases histéricas, surreais, elas ajudam, trazem à tona a vontade de chorar.
É difícil manter-me no tom dramático contigo a me olhar assim com estes olhos de quem já sabe o que vou dizer.
Adoro quando abre esse sorriso tímido para mim.
Devias sorrir mais,ficas com olhos de menino.
Não, não vou falar de amor e não quero discutir política,ou papo cabeça. Embora amigo, estamos praticamente sem opções. Os partidos estão descaracterizados.
Não é ético citar nomes, não me complica.
Deus? Nem me fala amigo, descuidou-se novamente, enviou-me um anjo da guarda carioca, tenho negociado, mas, não estou com muito crédito.
Como é um anjo da guarda carioca?
É um bom anjo, o problema é que atrapalhasse facilmente, adora futebol, se tem jogo, não conte com ele, se tem sol, vai à praia, se chove, não sai de casa, e se está frio fica debaixo as cobertas,e ainda finge estar deprimido. Está rindo porque não é o seu anjo. Sabe o que ele fez comigo?
Trouxe-me uma carta. Estava assobiando.Imaginei logo: Vem confusão.
Sabe o que tinha dentro?
Um amor Drummond. Dos bons. Aqueles antigos, entende?
Aqueles que vem para ficar. Que desarruma a vida.
Por quê estou reclamando? Simples. A carta chegou com muitos anos de atraso.
E ele só entregou a minha. Essa cartas costumam ser pares. Ou seja,ele perdeu a outra e não se envergonhou disso.
Não, não fale assim! É um bom anjo. É estagiário, dá um desconto. Ele andava trabalhando no Rio, e foi mandado para o Sul.
Promoção? Não sei. Deve estar se recuperando do stress.
Espere, ainda não falei o que precisava.
Por que está olhando as horas?
Estás de carro?
Posso te dar uma carona.
Onde quer ficar? Sei. Não fica longe daqui.
Podemos conversar enquanto te levo.
Como sabia que esse era o meu carro?
Não achei graça. Chega de limpar os sapatos.
Espere um pouquinho. A porta não abre por fora.
Amassados são como rugas, contam histórias.
Não pretendo fazer plástica no meu carro.
Você tem que ter calma. Ele sempre pega.
Não, não vai precisar empurrar.
Dê um tempo a ele. Sim é pequeno por fora e espaçoso por dentro.
A que horas parte o seu trem?
Sendo assim, ainda temos uma hora e meia.
Viu, pegou! Fica calmo! Não vou bater, estou vendo, posso fazer esta manobra de olhos vendados.
Não vou correr, estamos cheios de radares e ainda tem os radares móveis, nunca sabemos quando vamos ser pego,é prudente não arriscar.
Também estou feliz de estar contigo.
Adoro quando me olhas desse jeito.
Não liga o rádio, ainda não conversamos.
Quero falar de uma máquina moderna.
Deixa eu explicar. É como aquelas de escrever, parecida com as eletrônicas, lembra? Só que nesta você não precisa arrancar a folha quando muda o curso do pensamento, ou quando os dedos erram as teclas. Basta apertar o delete, é uma tecla que apaga os erros, ou permite que mude o rumo do pensamento. Sim. Ela é passiva.
São inúmeras as vantagens.
Pode interagir com o mundo inteiro, estar sempre atualizado, e até saber o rumo de um míssil no instante em que fora lançado. Ah, também pode amar pessoas que nunca viu. Que não conhece o cheiro, a voz, os traços, também tive essas dúvidas no começo.
Não fale assim comigo!Não estou louca!
Esquizofrenia ainda não catalogada?
Gostei dessa. Mas, não gosto deste teu olhar desconfiado.
Preciso reclamar desta máquina, só um pouco, depois eu mesma a defenderei. Ela roubou as tardes de sábado, as caminhadas de mãos dadas, as cadeiras estendidas nas calçadas, às conversas na quitanda, os jovens na praça, os flertes, aqueles olhos nos olhos. As idas ao cinema. Como podes duvidar do que falo?
Namoram pelo Orkut, MSN ou emails.
Calma. Se não conhece, não pode falar assim comigo.
Parei porque estou aqui pensando se vou mesmo te levar a estação.
Quem é que falou:
Quando o homem atingir este nível de cultura estarei morto!
Quem é que indagou: Agora os homens fazem amor pelo sem fio?
Sabe o que aconteceu? Fazem amor por esta máquina.
Através dela pode ser quem quiser. Há um monte de super-homens nesse meio.
Nunca falham.
Não gostei da piada. Não teve graça. Estou brava, preciso reclamar, pensei que pudesse me entender.
Como assim? Eu não faço isso. Fico com as falhas.
O namoro anda em extinção, agora as pessoas ficam.
Já estou indo.
Não me culpe. É o trânsito, cada vez há mais carros. A Ilha está ficando pequena. E nem estamos na alta temporada.
Olha, aqui é a via expressa sul. Lá adiante há um túnel. Quer parar um pouco?
Não estamos longe. Ainda há tempo. Ficar? Não sei bem. É um direito conquistado, pode beijar e ficar com quantos quiser numa noite.
O que é isso? Não fale assim. Não falo de profissionais, é comum e cuida porque no lugar da tal censura, agora há processos se alguém for ofendido moralmente.
Será que consegue perceber como estou?
Não há salas de cinemas nas ruas, elas foram transformadas em Igrejas Evangélicas, e por lá tem uns corretores de imóveis do céu. Se tiver um poder aquisitivo alto, consegue garantir uma boa casa com piscina meu caro.
Eu não. Está gozando da minha cara não é?
Quando chegar minha hora, vou procurar o pessoal do MST.
Não, não quero falar sobre o movimento dos sem terra.
Vamos continuar a falar da máquina.
Olha lá à sua esquerda.
Esta ponte é nova. Aquela está interditada, é a Hercílio Luz, dizem que ainda vão recuperá-la, mas entra governo e sai governo e isso não acontece. Sim, é uma pena.
Olha lá em cima á direita. Hospital de Caridade. Foi o primeiro hospital de Santa Catarina, inaugurado em 1789. Em 1994, um incêndio destruiu 70% da área construída. Foi uma tragédia, lá estava abrigada grande parte da história do Estado.
Foi privatizado.
Aqui é o mercado Público. Sim. Eram aqui que os comerciantes da Ilha vendiam peixes, carne de sol, os grãos, mandioca, hortaliças, enfim.
A maioria eram escravos de ganho, forros e brancos pobres.
Estamos em cima do aterro, o mar alcançava até ali onde estão as lojas hoje.
Por favor, pode pegar minha bolsa?
Preciso de um cigarro.
Está bem eu aguento mais um pouco.
Já estamos chegando à Beira-Mar.
Partilhamos à mesma opinião: Há algo aqui que não conseguimos descrever, é preciso sentir.
Estou te olhando, porque vou te deixar aqui, e meu coração já está apertado.
Chega mais perto, quero falar baixinho ao pé do ouvido: A máquina apaga sem deixar rasuras. Consolo-me em saber que ela sempre dependerá de um homem para apertar o botão.
Chegamos.
Ah, estou olhando porque não temos trens em Florianópolis.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sou sombra

Estou diante de uma vida ampla
Sem promessas
Sem sonhos
Sem destino
Flutuo
Como uma sombra
Silenciosa.
Defendo-me dos semi-deuses
Contorço-me entre sonho e realidade
Numa luta solitária
Nesse monólogo de amor.
Pena eu ser assim...
Não saber ser de outro jeito.
Vida ampla
Vida larga
Sem ponto de chegada ou partida.
Aguardando um milagre
Acreditando em miragem.
Sem amarras
Sem porto
Sem dono
Sem direção.
Apenas amplidão.
Cristina Vianna

domingo, 21 de junho de 2009

inverno_Adriana calcanhoto

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